Imitação: Antônio Vivaldi (As Quatro Estações: Mimeses)
Imitação: Antônio Vivaldi
As Quatro Estações foram publicadas em Amsterdã em 1725 com mais oito concertos com o nome Opus 8. As datas exatas da composição dos concertos não são conhecidas. Esse conjunto concertístico foi denominado Il Cimento dell’Armonia e dell’Invenzione; um testamento artístico, tal o teor de técnica intelectual e fantasia criativa de Vivaldi. As Quatro Estações são, acima de tudo, a celebração da rica impressão individual das mudanças de estações, inspirando a evocação do universo inteiro de emoções associadas a elas. Vivaldi esforçou-se para completar a experiência de seu público exibindo pinturas e sonetos para os músicos e para a platéia.[1]
Na Idade Média, e mesmo muito depois dela, até o século XVIII inclusive, comumente músicos eram empregados de nobres, governantes ou eclesiásticos, sendo sua função compor para grande número de acontecimentos. Nascido um príncipe, componha-se uma Missa em Ação de Graças pelo fato. Para uma grande recepção, o compositor particular crie novas peças e ensaie-as com a orquestra à disposição até a data aprazada. Se morrer uma rainha, um réquiem já deverá estar preparado para a ocasião.
Cito os sonetos que acompanham esta obra como exemplo do que havia de avançado na proposta de Vivaldi: transversalidade. Em relação à popularidade dos concertos, poucas pessoas os conhecem, apesar de sua enorme função operística quando considerados em conjunto. Parece que Vivaldi, ao contrário do que seria de se esperar, a seu tempo e segundo os cânones da História da Música, já compunha para auto-satisfação ou com vistas a remuneração pela audiência, já que não teria havido encomenda ou função ritualístico-representativa para a obra.
O tema das Quatro Estações é simples, popular, dado que se refere à nossa Terra e a todos os habitantes, mas ao mesmo tempo, amplia-se simbolicamente de maneira rica e complexa, pois que está ligado a tudo que se refere ao número 4, às quimeras, as visões bíblicas, aos elementos, os evangelhos, as fases da lua, ao Tarot.[2] O significado elementar deste símbolo é: refere-se às quatro fases de qualquer ciclo. E o ciclo das estações é um exemplo cheio de sentidos.
A primavera é a chegada, o início, a infância, o nascer do sol, o princípio de uma atividade, a virgindade, otimismo, dinâmica, sentimentos voluntariosos. É o bastão [PA1] do Tarot e o entusiasmo de Mercúrio.
O verão representa a juventude, o sol que chega ao seu zênite: as forças são reunidas, preparadas, é o momento de agir. É também plenitude em conexão com a realidade. É por sua vez o corte generoso do Tarot e a combatividade de Marte.
O outono é o tempo das colheitas, mas também o das lamentações. O sol começa a inclinar-se sobre o horizonte. O tempo de colher os frutos e de gozar, o tempo de lamentar a beleza passada. É a época da opulência. É o dinheiro do Tarot, é a potência de Zeus.
Por último, o inverno é o descanso que segue o período de atividade, aquilo pode ser a morte, mas a morte é realmente um fim? É a velhice de Cronos, a terra que se prepara para uma nova primavera, então, o que seria o fim é o que precede o recomeço.
Em diversos países, existem datas oficiais para início das estações com diversos efeitos práticos locais, datas que não são coincidentes; mesmo do ponto de vista astronômico, há alguma variação (irrelevante no cotidiano) quanto ao momento de transição entre as estações. Todavia, são geralmente aceitas as referências seguintes:
Quadro Sinótico 3‑2 – Período das estações.
[1] Portal Itália Brasil.
[2] Toda simbologia que se segue é tradução e adaptação de Kulturica, 2007.
[PA1]Checar as referências ao Tarot.



