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Significação (As Quatro Estações: Mimeses)

Significação

Para representar as metáforas emuladas foram levantados os signos mais representativos. As estações, por exemplo, ao se situar uma cena ou uma paisagem em uma estação do ano bem determinada, geralmente corresponde a um estado de alma do sonhador. As cenas alegres acontecem quase sempre na primavera ou verão, os sonhos de renascimento na primavera. Não obstante, com maior freqüência se tem consciência de um elemento característico da estação (por exemplo: um sol muito forte, brotos nas árvores ou neve que cai) antes da estação em seu conjunto. Na interpretação, há que se ter em conta tanto o elemento subjetivo dominante quanto a estação em si mesma. Tanto os signos quanto os significados se codificaram em representações metafóricas e repletas de emulações transversais.

Sendo o texto uma montagem de signos codificados, ele é construído (e interpretado) em referência às convenções associadas a um gênero retórico, utilizando um meio específico de comunicação. Embora existam discrepâncias em relação à possibilidade de se dizer a mesma coisa em dois ou mais sistemas semióticos que utilizem unidades semânticas diferentes, e sendo conscientes das limitações que tal diferença estabelece em relação aos possíveis códigos utilizados[1], a proposta foi aproveitar favoravelmente tal fato. Se os diversos sistemas semióticos fossem sinônimos, então a proposta iconográfica não faria sentido nenhum.

As teorias que lidam com a construção dos sentidos na relação entre leitores incluem opções entre: Objetivistas, para quais o significado está inteiramente incorporado ao texto (sendo então o significado simplesmente transmitido ao leitor); Construtivistas, para quais o significado é construído na interação entre texto e leitor; terminando nos Subjetivistas, para quais o significado é recriado segundo interpretação do leitor. Isto pode ser resumido em duas tendências gerais: as formais e as dialogais. No processo de estabelecer o texto iconográfico, definiram-se os elementos pictóricos (e entre eles os não-verbais) e semânticos a ser aproveitados em função das suas possibilidades narrativas (com as suas potencialidades conotativas, designativas, simbólicas, indicativas ou icônicas), com o objetivo de estabelecer comunicação direta com o leitor. Estabeleceram-se os códigos e subcódigos que organizam o sistema de signos textuais, procurando conscientemente refletir valores, atitudes, crenças, paradigmas e práticas, a fim de que as relações entre eles gerassem o sentido desejado nos leitores, mesmos os de diversas culturas e diferentes graus de erudição. Neste sentido, no percurso criativo, observou-se a necessidade de ultrapassar os elementos comumente aceitos e gerais. Procurou-se incorporar algum elemento conectado às visões autorais de mundo. O desafio foi grande. É daí a idéia de lidar com algumas das questões humanas mais culturalmente inquietantes, entre que se contam sexo, morte, origem da vida, existência de Deus (ou de algum tipo de ser superior), o Além (da morte, da terra, a vida extraterrestre). Em termos mais gerais e utilizando uma terminologia mítica e psicanalítica: a resultante da relação entre Eros e Tanatos, entre a criação e a destruição.[2]


[1] Blanco, 2007.

[2] Blanco, 2007, adaptado.

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