>Revisão de textos: dois princípios fundamentais
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O trabalho de revisão de textos, este feito por profissionais que se dedicam com exclusividade ao ofício, principalmente, mas também no caso daqueles que, por formação ou vocação pelas letras, se pauta por dois princípios que, a nosso ver, são fundamentais no ramo. Quando se trata de revisão de dissertação ou revisão de tese, a necessidade e a aplicação desses princípios são ainda de maior importância. Estes dois princípios deve andar juntos, como as duas pernas em que a revisão de textos de sustenta e se move.
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| A revisão de textos é atividade muito muito mais complexa que parece. |
A alteridade do revisor de textos
O revisor não pode ser o autor, isso não faz sentido. O autor revê, reescreve, atualiza, aperfeiçoa seu texto. Mas a atividade de revisão do texto, tal como nós a entendemos e praticamos, é aquela – necessariamente – feita por alguém que tenha estado distante da redação do texto em qualquer de suas etapas. É necessário que o revisor do texto tenha distanciamento, nunca tenha lidado com aquele assunto, se possível, para que ele possa se colocar como o leitor, tentando compreender as ideias sem outra influência que aquelas das palavras. Há alguns profissionais de alfabetização ou de redação que tratam a atenção que o autor, o aprendiz aqui, deve ter para com sua produção como revisão. Do nosso ponto de vista, não é boa essa terminologia; aqui caberia correção, leitura cruzada (quando se trata de colegas interagindo) e algo assim, pois o revisor de textos profissional é o leitor qualificado pelo domínio da língua. Revisar um texto é ter a capacidade de interferi nele como quem vem de fora (alteridade!) e domina a mídia, o texto! Temos batido um pouco nessa tecla.
Mínima interferência do revisor no texto
Uma regra de ouro, pela qual temos pautado nosso trabalho de revisão, é a que prescreve nos obrigarmos a poder explicar qualquer interferência feita no texto do cliente. Em geral, são feitas muitas interferências, muitas mesmo. Desde as mínimas questões de digitação até os mais graves lapsos de concordância ou falhas de argumentação. Mas cada uma dessas interferências do revisor no texto deve poder ser explicada e sua necessidade demonstrada ao autor que terá última palavra sobre tudo. Nada pode ser mudado no texto do cliente com base em explicações vagas, tais como “assim fica melhor”, ou isso é “mais adequado”. É necessária uma justificativa técnica: “a negativa requer próclise”, “oração intercalada requer vírgula”, “redução de partículas indefinidas aumenta a exatidão e confiança transmitida pelo texto”.
Leia também neste blog: Publique sua tese – Como escrever bem – O revisor e o texto – O princípio da consistência




