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Gratos por nos emprestarem o excelente texto: não o revisamos para publicar! |
Certo dia desses, um colega meu no trabalho disse (não exatamente desse jeito), que o revisor é aquela pessoa que tem que dar conta dos erros que algum incompetente deixou passar. Eu não serei extrema ao dizer que seja pura incompetência já que somos humanos e falhos, mas em algo ele tem razão: o revisor tem que dar conta de todos os problemas existentes no texto, senão é o próprio revisor quem vai vestir a camisa de incompetente. Não importa se houve sobrecarga de trabalho, se o texto era realmente difícil de se compreender: às vezes o problema é realmente a legibilidade do documento, muitas vezes escaneado precariamente – e você que se vire para entender! -, ou se foi realmente algo que o tradutor deixou passar por distração. Qualquer erro encontrado deixa aquela sensação amarga de incompetência.
No caso do revisor de traduções, diversos fatores estão em jogo. O mais crítico, sem dúvidas, é o prazo. Trabalhar em uma agência de tradução me fez perceber que você é meio Time Lord, porque tudo é pra ontem. Os prazos são todos apertados, raramente vai aparecer algum projeto que tenha data de entrega que não seja… pra ontem.
E isso influencia seriamente na qualidade da revisão. Porque a preocupação em cumprir prazos, normalmente, afeta um pouco a qualidade da revisão. Ao menos para quem é meio perfeccionista demais (eu!) e se preocupa ao extremo com detalhes (eu!).
Outro fator que é importante no trabalho do revisor de traduções é o próprio relacionamento com os tradutores. Tem que existir certo jogo de cintura em apontar o que está errado, o que “soa estranho” e saber como justificar tudo isso com embasamento – o achismo não é um argumento eficaz, ouso dizer. Ou então simplesmente admitir que não se conhece determinado termo traduzido e perguntar se está de acordo com o original – tirar dúvidas é um excelente meio de se aprender mais e estabelecer uma relação harmoniosa com tradutores.
O revisor de traduções é, de certa forma, um faz-de-tudo. Tradutores normalmente têm suas áreas de especialidade: jurídica, tecnológica, biomédica etc., mas o revisor acaba lidando com tudo. Já peguei documentos de todos os tipos, de línguas e para línguas em que não sou fluente, inclusive (É um Deus nos acuda quando pego algo que envolve alemão!), mas que vão expandindo a cada dia o meu repertório linguístico e ensinando coisas que não ousava saber existir. E é necessário ter a humildade de perguntar quando não se sabe determinada terminologia, e também a iniciativa própria de pesquisar (caso haja tempo suficiente para isso, é claro!), evitando ao máximo atolar o tradutor de dúvidas desnecessárias.
Porque o revisor não sabe tudo.
E no fim, o que resta é aquele sentimento meio de paranoia, como se o erro te espreitasse em qualquer parágrafo, esperando um deslize seu para mostrar-se em sua absoluta devassidão, como se zombasse de você e dissesse que, não importa o quanto o revisor esforça-se e se dedica ao seu trabalho, ele sempre vai aparecer. Ileso de qualquer varredura, o arauto da inquietude sempre presente neste profissional. Mas que vai deixar o revisor sempre motivado a se auto-superar.
(E sim, esse texto passou por revisão)