O Moinho de Pimenta
O MOINHO DE PIMENTA
O Moinho de Pimenta
Tens o moinho? Dá-lhe quantas voltas quiseres.
Mói da pimenta e usa quanto fizer-te gosto;
Não moas mais que teu uso: daquilo que puseres
No alimento que comeres, depende o mosto.
Tens o moinho? Dá-lhe quantas voltas quiseres.
Que a vida é tua, é somente teu o destino;
Da vida o rumo, no tempero que lhe deres,
Cabe-te escolher, mas com sumo descortino.
Tens o moinho: dá-lhe quantas voltas quiseres.
Cuida com arte do tempero na comida,
Equilibra tua pimenta e sal com a bebida.
Tens o moinho: dá-lhe quantas voltas quiseres,
Mas não te esqueças de que a pimenta já moída,
Não tem volta, como arrepender-se na vida.
Belo Horizonte, 12 de outubro de 1995.
Gravado pelo autor.



