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Posts Etiquetados ‘trabalho’

Nova edição da NBR 14724

NBR 14724 versão 2011
Está prestes a vigorar a terceira edição da NBR 14724 (Trabalhos Acadêmicos) publicada em 17/03/2010 e será válida a partir de 17/04/2010. O projeto de alteração circulou em consulta nacional de outubro a dezembro de 2010.
A mudança é novamente tímida e superficial, aparentando visar somente vender de novo o mesmo produto, “renovado” com alguma maquilagem. Perderam mais uma oportunidade de realizar uma revisão aprofundada dessa norma – provavelmente, a mais lida, utilizada e aplicada dentre todas da ABNT.
Felizmente as instituições vão paulatinamente abandonando a ABNT e editando suas normas próprias ou aderindo às internacionais APA, ISO, Vancouver e outras – sempre melhores que a brasileira.
Já dispomos da norma atual e estamos aptos a trabalhar com ela, conciliando-a às das instituições e mídias de destino dos textos, segundo orientação dos clientes.

Veja ainda neste blog: Normas, Portifólio, Descrição de normas e procedimentos, Recomendações dos orientadores.

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>Capas de trabalho acadêmico

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Capa de monografia IFAC/UFOP

Muitos dos acessos a este blog têm sido feitos em busca de imagens de capas de trabalhos acadêmicos e informações sobre sua elaboração. Somos levados a crer que o assunto gera mais dificuldade e interesse que suporíamos; por isso, vamos colocar algumas considerações que temos sobre a questão, observando que são pontos de vista nossos sobre o caso – distantes em alguns casos de quaisquer normas institucionais.

A maior parte das instituições brasileiras alega adotar as normas da  ABNT sobre o assunto, mas as modifica, adaptando segundo seu entendimento da questão. Acreditamos que, na verdade, costumam dar mais atenção à capa que deveriam e aumentar o problema além do que ele mereceria. Em parte, isso reflete aquela antiga postura escolar, de fazer a capa bem bonita, para que ela esconda um trabalho não tão bom.

Capa de dissertação PUC/SP

Existe, por parte das instituições, um salutar interesse em simplificar as capas e a diretriz de padronizar o elemento – o que nem sempre é tão necessário ou importante. As regras, tanto as da ABNT quanto as das instituições de ensino, geralmente não se adaptaram às múltiplas possibilidades agregadas pelos editores de textos e regulam a questão como se os trabalhos ainda fossem feitos à máquina de escrever. Desconsideram a possibilidade de recursos gráficos, fingem desconhecer a variação do tamanho das letras (corpo da fonte), exigindo o uso de capitais (minúsculas) sem nenhuma necessidade, nem mencionam a possibilidade de ilustração.

Para discutir o caso, vamos entender primeiro o que é, ou deveria ser a capa: todo mundo sabe que capa é aquilo que reveste o trabalho, dando-lhe cobertura e proteção – bem como a apresentação inicial do conteúdo do volume. Pois bem, capa é o exterior! Mas muitas vezes temos observado que, em volumes encadernados, com os dizeres formas impressos na capa-dura, quando se abre o trabalho, a primeira coisa que se encontra é… Outra capa!

Capa de dissertação – USP

Trata-se evidentemente de um equívoco de interpretação (sem nenhum dano importante, note-se), mas depois da capa (dura) o que deveria vir seria a folha de rosto, tal como a conhecemos.

As capas de papel só fazem sentido naqueles volumes provisórios encadernado em espiral e cuja cobertura transparante permite que as informações da primeira folha (que assume a função de capa) fiquem à vista. Nos casos de encadernação dura, de capa opaca, a folha com os dados da capa se presta a que o encadernador componha a  capa, imprimindo em caracteres metálicos sobre o cartão do revestimento.

Observemos, neste ponto, que os encadernadores, em geral, não possuem a mesma amplitude de recursos e liberdade que temos de uso (em tese, mas formalmente é vedada) de fontes e corpos variados. Portanto, não se pode ser muito criativo no tradicional formato de capa dura escura com letras douradas – nem é isso que as instituições preconizam.

Capa de dissertação PUC/PR

Já as modernas gráficas rápidas dispõem de recursos que possibilitam a impressão de capas em policromia e com imagens e composição gráfica sofisticada – o que execrado pelas normas e maioria dos programas de pós-graduação como se uma capa moderna afastasse a a qualidade do conteúdo.

Então continuamos a depositar teses, dissertaçõe monografias com as capas que seriam possíveis nos primórdios do século passado, descnsiderando cem anos de evolução gráfica.

Somente os cursos mais abertos, de arte, ou de design, segundo temos observado, têm dado abertura para as capas serem feitas segundo os recursos disponíveis, fugindo das limitações que não existem mais.
 
Aqui apresentamos algumas capas que ilustram as questões que já apontamos, e que se revestem de questiúnculas (questões irrelevantes – mas só mesmo essa palavra antiga para bem expressar os casos) sobre as quais teceremos considerações.

A primeira das capas aqui (monografia IFAC/UFOP) contraria tudo que ABNT e a maioria das normas intitucionais postula. Cor, grafismo, fotografia. Além desses elementos, facilmente verificáveis, o trabalho foi impresso em formato diferente dos comuns (A4 – predominante ou ofício – mais raro), sendo o papel cortado na proporção áurea, por necessidade do discurso do texto.

Capa monografia

 A segunda capa (dissertação PUC/SP) exemplifica duas coisas que não nos agradam: o nome da instituição precedendo o do autor (já vimos referência a mecanismos de indexação que interpretam, em casos semelhantes, a instituição como sendo autora), claro detrimento à pessoa em benefício da corporação; e o uso de caixa alta e textos da capa, recuso antiquado de composição, quando se pode usar o tamanho da fonte e o negrito com muito melhor resultado gráfico.

A capa seguinte (monografia USP), apresenta o nome da instituição ao pé da página (o que diverge da ABNT, mas que me parece pertinente) mas duplica a informação da cidade, já contida no nome da instituição – pecando por excesso onde a síntese poderia ser privilegiada. No mesmo sentido, a capa da dissertação (PUC/PR) que segue, apresentando excessivas informações institucionais no tope, relegando o autor. Aqui ainda vemos uma capa de monografia que contém as informações da natureza do trabalho que deveria ser limitadas à folha de rosto.

Capa de tese PUC/SP

A seguir, o exemplo ao lado (tese, PU/SP) é uma capa que já apresenta alguns dos problemas anteriormente delineados, excesso de informação, letras capitais, nome da instituição do topo. Mas o depósito dos exemplares com essa capa foi recusado pela funcionária (mais um juiz no caso!) por conter a logomarca da instituição – o que foi feito com base na norma da PUC para uso daquela peça gráfica, um caso de conflito de normas internas, da instituição em geral com as normas particulares da pós-graduação ou da biblioteca. Aqui é o caso de que manda quem pode, obedece quem tem juízo, ou seja: não se pode ficar preso ao que dizem as instruções formais, mas deve-se atentar à interpretação que o menos relevante funcionário que intervier  tem delas. No caso, observar essas interpretações é a regra de ouro.

Talvez não tenhamos resolvido aqui nenhum problema quanto à elaboração de capas, mas apresentamos alguns dos problemas existentes. Infelizmente essas questões costumam vir a ser mais uma dor de cabeça para as pessoas, sem nenhuma necessidade disso.

Leia ainda por aqui: Normas de formatação acadêmicaPortfólio de trabalhos acadêmicosOrçamento para revisão de texto

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>Plágio e fraude acadêmica

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Fraude acadêmica

A ameaça de plágio
Texto traduzido e adaptado de
About Plagiarism
Site contra plágio

O plágio é um problema grave e crescente na web. A qualquer momento, alguém pelo mundo pode copiar seu conteúdo on-line e instantaneamente colá-lo em seu próprio site, artigo ou tese – sem fazer qualquer referência à fonte. Depois de fazer pequenas mudanças, eles vão reivindicar seu conteúdo como próprio.

A Web é construída com trabalho árduo de pessoas honestas que dedicam seu tempo e energia para criar conteúdo original. A epidemia global de roubo de conteúdo viola os direitos das pessoas e desestimula a criação de conteúdo web.
Copyscape foi criado como um serviço público gratuito para resolver este problema crescente. Os recursos abaixo podem ajudar a proteger seus direitos e se defender contra as ameaças de plágio e roubo de conteúdo.
Evitar plágio
Tal como acontece com muitas outras coisas na vida, é melhor evitar o plágio antes que aconteça. Este simples Guia de Prevenção de Plágio vai ajudá-lo a evitar o plágio do conteúdo de seu site, ou seu texto – onde quer que ele esteja.
Detectando plágio
Cabe a você saber se alguém copiou o seu conteúdo sem autorização. Copyscape oferece um serviço gratuito que permite facilmente pesquisar online plágio e identificar os casos de roubo de conteúdo. No Copyscape, basta você digitar a URL do seu conteúdo original, e o site faz o resto. Copyscape também oferece serviços profissionais para necessidades mais avançada. No caso de um texto que não estaja publicado na web, bastará fazer um upload dele, mesmo sem possibilidade de acesso por terceiros, para que os recursos do Copyscape possa ser aplicados.
Respondendo ao plágio
Se você descobre que alguém roubou o seu conteúdo, é melhor agir com rapidez. Este Guia prático para responder ao plágio lista algumas das ações que você pode tomar para detectar os autores e garantir que seu conteúdo seja removido do site de ofensa.
Compreensão de seus direitos
O Copyscape Resource Center vai ajudá-lo a entender seus direitos e as leis (internacionais) que regulam o plágio online. Como as leis de direitos autorais variam de lugar para lugar, a lista também inclui links para informações sobre direitos autorais de diferentes países.

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>A relevância da introdução

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A melhor revisão de textos é Keimelion.
Cecil Jeanine Albert Zinani
Salete Rosa Pezzi dos Santos
A produção de textos acadêmicos torna-se cada dia mais relevante nas Universidades, tanto nos cursos de Graduação como de Pós-Graduação, cujos alunos necessitam apresentar conhecimentos produzidos em algum ramo do saber. Além disso, essa atividade é considerada como o retorno esperado das Bolsas de Iniciação Científica e de Pós- Graduação e dos Projetos de Pesquisa que são financiados pela própria Universidade ou por órgãos de fomento, uma vez que é a forma mais adequada para socializar essa modalidade de conhecimento. A produção escrita acadêmica, explicitada em suas finalidades e concretizada nos diversos gêneros, trabalho de conclusão de curso, artigo acadêmico, monografia, dissertação, tese, relatório de pesquisa provoca não só uma significativa preocupação nos autores como uma discussão relevante: como iniciar o trabalho? Essa questão remete, imediatamente, à introdução do texto e aos aspectos que a constituem.
A introdução é uma parte relevante do texto, visto que, através de uma modalidade descritiva, apresenta os aspectos mais significativos do trabalho, orientando o autor do texto na medida em que não só faculta que seus objetivos sejam atingidos, como também deflagre o interesse do leitor, favorecendo a recepção de acordo com as expectativas do destinatário. Dessa forma, uma introdução bem organizada apresenta o tema que será abordado no texto, os objetivos do estudo, a contextualização, a justificativa e a relevância do assunto, a metodologia, indicadores do referencial teórico e o plano de exposição, elementos que, de forma articulada, vão delinear o conteúdo do trabalho e de que maneira ele será desenvolvido.
Ao considerar a relevância da introdução em um texto científico, torna-se fundamental, primeiramente, examinar alguns passos que antecedem essa produção. Evidências empíricas observadas no desenvolvimento de atividades referentes à elaboração de textos acadêmicos fundamentaram algumas constatações: inicialmente, verificou-se que a organização e a estruturação de um projeto é condição fundamental para a elaboração do texto. Constatou-se, também, que a organização de um bom projeto exige certo nível de conhecimento sobre o assunto a ser trabalhado, o que só será conquistado à medida que for construído um repertório de leituras sobre o assunto.
A problemática que envolve a introdução não é uma preocupação recente. Já aparece definida por Aristóteles na Poética (1991, p. 207) quando afirma: “‘Princípio’ é o que não contém em si mesmo o que quer que siga necessariamente outra coisa, e que, pelo contrário, tem depois de si algo com que está ou estará necessariamente unido”. Depois do filósofo, muitos estudiosos têm abordado essa questão, destacando a relevância da introdução e posicionando-se sobre o momento em que ela precisa ser redigida: após escrever o texto propriamente dito, durante ou antes desse processo.
Este post contém fragmentos de:

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>O DISCURSO ACADÊMICO-CIENTÍFICO

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Alessandra da Silveira Bez
Para elaborarmos uma proposta sobre gênero acadêmico-científico baseada na semântica linguística, ou seja, na descrição de um sentido dentro do linguístico, pensamos que é importante, primeiramente, definirmos o que é gênero, de acordo com a perspectiva bakhtiniana.
Para Bakhtin (1992, p. 277), todas as esferas da atividade humana estão sempre relacionadas com a utilização da língua. Esse uso da língua se efetua em forma de enunciados (orais e escritos), concretos e únicos, que emanam dos integrantes de uma ou outra esfera da atividade humana. O enunciado mostra as condições específicas e as finalidades de cada uma dessas esferas: conteúdo temático, estilo verbal e construção composicional. Esses três elementos convergem para o todo do enunciado e todos eles são marcados pela especificidade de uma esfera de comunicação. Vê-se, então, que qualquer enunciado considerado isoladamente, é individual, mas cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, que são os gêneros do discurso. Cada esfera dessa atividade se diferencia e se amplia à medida que a própria esfera se desenvolve e fica mais complexa.
A partir das três características que formam um gênero, condições específicas, estilo e construção composicional, Bakhtin (1992) afirma que o estudo da natureza do enunciado e da diversidade dos gêneros do enunciado nas diferentes esferas da atividade humana são fundamentais para os estudos da área de linguística, porque um trabalho de pesquisa com um material linguístico concreto lida com enunciados concretos que se relacionam com as diferentes esferas da atividade e da comunicação. É necessário que se tenha uma concepção clara da natureza do enunciado em geral e dos vários tipos de enunciados em particular, ou seja, dos diversos gêneros do discurso, para que uma pesquisa seja bem sucedida. Não levar em consideração a natureza do enunciado e as particularidades de gênero que marcam a variedade do discurso em qualquer área do estudo linguístico é condená-lo ao formalismo e à abstração. Com essa perspectiva, é necessário compreendermos como o gênero acadêmico-científico se constitui, visto que ele apresenta características e funções bem específicas.
Sabemos que o homem, pela sua própria existência, necessita atribuir significações ao mundo em que vive. Com isso, ele cria intelectualmente representações significativas da realidade. Essas representações podem ser definidas como conhecimento e podem ter diferentes vertentes: mítica, ordinária, artística, filosófica, religiosa e científica (Köche, 2002). Como visto nos parágrafos anteriores, abordaremos o gênero acadêmico-científico, já que é esse tipo de texto que será utilizado em nosso corpus de análise.
O gênero acadêmico-científico pode ser representado, para alguns estudiosos, de forma caricata, pois se tem a imagem ingênua de que a ciência busca técnicas de investigação para serem aplicadas em qualquer problema, garantindo a verdade científica e eliminando falhas. Percebemos que a ciência não apresenta verdades absolutas, mas explicações provisórias que dão ao conhecimento científico um estado hipotético permanente.
De acordo com Köche (2002), podemos definir um gênero acadêmico-científico como um conjunto de procedimentos não padronizados adotados pelo investigador, orientados por postura e atitudes críticas adequados à natureza de cada problema investigado. Assim, elaborar um discurso de caráter científico é produzir de forma crítica o conhecimento científico, levantando hipóteses bem fundamentadas e estruturadas em sua coerência teórica (verdade sintática) e possibilitando serem submetidas a uma crítica severa (verdade semântica) avaliada pela comunidade científica (verdade pragmática). Nota-se que não há somente uma verdade, mas três. Mesmo assim, elas não são suficientes para demonstrar a verdade de determinado enunciado, justificando a aceitação como um resultado certo, infalível.
Percebe-se, então, que o conhecimento científico é falível, pois o investigador pode elaborar hipóteses inadequadas, não planejar de forma adequada os testes de suas hipóteses, assim como não perceber provas contrárias, gerando conclusões impróprias. Pode-se constatar, assim, que essa falibilidade existe porque o conhecimento científico é uma retomada constante das teorias e problemas do passado e do presente, através da crítica severa e sistemática. Por esse sistema diacrônico, percebe-se que o conhecimento científico não cristaliza resultados das pesquisas, mas os considera eternas hipóteses que precisam de constante investigação e revisão crítica intersubjetiva. Através da citação de Köche (2002) podemos compreender qual é a proposta do conhecimento científico:
O conhecimento científico é, pois, o que é construído através de procedimentos que denotem atitude científica e que, por proporcionar condições de experimentação de suas hipóteses de forma sistemática, controlada e objetiva e ser exposto à crítica intersubjetiva, oferece maior segurança e confiabilidade nos seus resultados e maior consciência dos limites de validade de suas teorias (KÖCHE, 2002:37).

Nota-se, então, que para a construção do texto acadêmico, é necessário ter claro quais são os limites e limitações das teorias com as quais se trabalha. A teoria não serve apenas para explicar o quanto as hipóteses são plausíveis, mas para elaborar os instrumentos e as técnicas de pesquisa e os parâmetros que interferem na interpretação dos dados. Tomemos como exemplo Saussure e Ducrot. Enquanto o linguista genebrino elabora uma linguística do sistema (língua), o teórico francês articula língua e fala, mostrando o uso a partir da língua. Nenhuma das duas teorias é melhor do que a outra, apenas são pontos de vista distintos. O conhecimento científico torna-se, então, uma constante busca por respostas e, ao encontrá-las, o pesquisador se depara com novos questionamentos e hipóteses.
Após abordarmos o gênero acadêmico-científico, desmistificando a ideia de que toda ciência é objetiva e apresenta verdades absolutas, descartando a subjetividade, pensamos que é relevante mostrarmos algumas convencionalidades desse gênero. Visto que a forma é constituinte do sentido, eis aqui a estrutura do texto acadêmico científico proposta por Magda Alves (2007). Para a autora o texto científico estrutura-se em três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. Antes de abordar o que essas três partes devem conter, Alves (2007) aponta alguns aspectos formais do gênero acadêmico-científico: o título e o subtítulo, se houver; o autor do texto, seguido de um indicador numérico para informar, em rodapé, sua titulação; o resumo ou abstract, que constitui uma apresentação concisa e seletiva do trabalho.
A introdução tem por finalidade apresentar o assunto ao leitor e colocá-lo a par da relevância do tema, e indicar qual o método que foi utilizado para elaborar as ideias. Para Alves (2007), a introdução deve definir o assunto/tema que foi tratado, situar o assunto em relação ao tempo, à relevância do problema, à contribuição que tal assunto traz para a sociedade e para o ser humano, situar o assunto no espaço geográfico, estabelecer os objetivos do trabalho e as questões de estudo levantadas, apresentar a metodologia de busca da solução do problema e mostrar como o texto está organizado.
Considerando os aspectos linguísticos, Alves afirma que a impessoalidade no texto, ou seja, o uso da terceira pessoa do singular na voz ativa, é permitida pela comunidade científica. Como sabemos que todo texto, independente do gênero, apresenta um caráter subjetivo, admite-se usar a primeira pessoa do plural (Pretendemos, neste estudo…) e a primeira pessoa do singular (Eu pretendo, nesse estudo). Sabemos que essa última ocorrência é menos usual, mas não está incorreta. A autora salienta ainda que é necessário evitar termos imprecisos, vagos, ambíguos, e ao utilizar uma terminologia técnica, explicar o sentido de forma que deixe claro para o leitor.
Considerando o desenvolvimento, sabe-se que ele é o corpo do trabalho. Geralmente é apresentado de forma descritiva e tem a finalidade de expor e demonstrar o objeto de estudo. Além disso, as proposições devem estar relacionadas, mostrando coerência entre as ideias. Para que a construção seja promissora, é preciso que o autor evite generalizações (“todos sabem que”, “alguns autores afirmam”, “geralmente…”). Não usando frases muito longas, palavras supérfluas, pedantismos, gírias na argumentação (marca do uso da língua), aumentativos, diminutivos e superlativos, tem-se homogeneidade de estilo e texto estritamente acadêmico.
A conclusão, por sua vez, constitui a fase final do processo de elaboração do texto científico, que teve início na introdução. É também um momento de recapitulação das conclusões a que o autor chegou em cada parte do desenvolvimento. Deve obter também a análise das hipóteses, conclusões a que o autor chegou ao longo de sua busca. A comunicação dos resultados é imprescindível e necessita ter uma relação estreita com os objetivos perseguidos e com as questões levantadas. Ideias novas não devem ser colocadas, elas devem ser fruto de outra pesquisa científica. A última parte que identifica um texto como sendo científico é a inclusão de referências, que fornece todas as indicações detalhadas sobre as fontes e documentos, entre outros elementos utilizados para a elaboração do texto.
Percebe-se, dessa forma, que um texto acadêmico apresenta características bem determinadas: toda hipótese deve ser fundamentada por uma teoria, que é permeada por conceitos que a definem e a distingue de outras. Além de conceitos, uma teoria apresenta marcas linguísticas bem específicas representadas pelos termos técnicos. A comunidade científica deve ter o domínio da teoria, dos conceitos e dos termos técnicos para que a pesquisa tenha um caráter acadêmico.
Com as características peculiares do gênero acadêmico-científico, pensamos que uma perspectiva tradutória é fundamental, pois analisaremos textos traduzidos e seus possíveis desvios de sentido.
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>Desencalhe sua tese – 1

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Revisão de tese é na Keimelio
Tenha uma ideia
Antes de tudo, você necessita de um conceito para o seu trabalho. É preciso sair dos terrenos das dúvidas e sempre se aproximar de onde houver alguma certeza. Uma tese não é um artigo e não funciona como um artigo: evite tentar pensar numa abordagem demasiado generalista. Tenha uma ideia só, descarte as outras. Selecione uma categoria ou tema do seu conhecimento, ou simplesmente um assunto específico que possa ser desenvolvido. Quando decidimos escrever o nosso primeiro trabalho mais longo, temos dificuldades específicas. Veja as diferenças conceituais entre tese (que usei acima no sentido genérico) e dissertação ou monografia e se enquadre onde couber.
Livremente adaptado de FAUSTINO, Paulo. 10 dicas para escrever e publicar o seu Ebook online.

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